A Tabela Price é um sistema de amortização de empréstimos e financiamentos no qual o valor da parcela permanece fixo do início ao fim do contrato. Também chamada de Sistema Francês de Amortização, ela é o modelo mais comum em financiamentos de veículos, crédito pessoal e parte dos financiamentos imobiliários no Brasil.
Apesar de ser amplamente utilizada, a Tabela Price gera muitas dúvidas entre advogados e consumidores, sobretudo quando o assunto é a cobrança de juros sobre juros e a eventual abusividade das taxas aplicadas. Entender como o sistema funciona é o primeiro passo para identificar cobranças indevidas.
Neste guia, você vai entender o que é a Tabela Price, como ela é calculada, em que situações os juros podem ser considerados abusivos e qual o papel da perícia bancária na revisão desses contratos.
O que é a Tabela Price
A Tabela Price calcula parcelas de valor constante. No início do contrato, a maior parte de cada parcela é composta por juros, e uma parcela menor amortiza o saldo devedor. Com o passar do tempo, essa relação se inverte: os juros diminuem e a parcela de amortização cresce.
Esse comportamento é o que diferencia a Tabela Price de outros sistemas. Como a prestação não muda, o tomador do crédito tem previsibilidade de orçamento, o que torna o modelo atraente para o consumidor e para a instituição financeira.
Como a Tabela Price é calculada
O valor da parcela na Tabela Price é obtido por uma fórmula que considera o valor financiado, a taxa de juros mensal e o número de parcelas. A prestação equivale ao valor presente da dívida dividido pelo fator de Price, que distribui os juros ao longo de todo o prazo.
Na prática, a instituição define a taxa de juros mensal e o prazo, e a parcela fixa é calculada de modo que, ao final, o saldo devedor chegue a zero. A cada mês, os juros incidem sobre o saldo devedor remanescente, e o que sobra da parcela amortiza o principal.
Um exemplo simples
Em um financiamento de R$ 30.000, em 48 parcelas, a uma taxa de 1,8% ao mês, a parcela fixa fica em torno de R$ 900. Nos primeiros meses, mais de R$ 500 dessa parcela são juros. Já nas últimas parcelas, quase todo o valor amortiza o saldo devedor.
É justamente essa dinâmica que costuma surpreender o consumidor: mesmo pagando parcelas em dia, o saldo devedor cai devagar no início. Isso não é, por si só, abusivo, mas exige atenção aos termos do contrato.
Quando os juros podem ser abusivos
A Tabela Price não é ilegal. O que pode caracterizar abusividade é a forma como os juros foram aplicados. O Superior Tribunal de Justiça admite a capitalização mensal de juros em contratos bancários firmados após 31 de março de 2000, desde que expressamente pactuada no contrato.
Quando não há previsão clara da capitalização, ou quando a taxa cobrada está muito acima da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquela modalidade, abre-se margem para a discussão sobre abusividade, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.
Outros pontos frequentemente questionados são a cobrança de tarifas não pactuadas, a venda casada de seguros e a aplicação de encargos de mora em desacordo com o contrato. Cada um desses elementos pode aumentar de forma indevida o custo efetivo total da dívida.
O papel da perícia bancária
A perícia bancária reconstrói, parcela a parcela, toda a evolução da dívida. O perito parte do contrato e dos extratos, recalcula o que deveria ter sido cobrado segundo o que foi pactuado e compara com o que de fato foi cobrado.
Esse trabalho permite identificar diferenças concretas: capitalização não prevista, taxa aplicada acima da contratada, cobrança de encargos indevidos e eventual repetição do indébito. O resultado é um laudo técnico que sustenta, com números, a tese do advogado em juízo.
A identificação de cobranças indevidas exige análise técnica aprofundada, o que reforça a importância da perícia contábil e financeira nesses casos.
Conclusão
A Tabela Price é um sistema legítimo de amortização, mas a forma como os juros são aplicados pode, em situações específicas, gerar cobranças indevidas. Capitalização não pactuada e taxas acima da média de mercado estão entre os pontos mais questionados.
Antes de ajuizar uma ação revisional, vale reconstruir o cálculo da dívida com apoio técnico. É a perícia que transforma a suspeita de abusividade em prova numérica consistente.
A Central de Peritos Associados é especializada em perícia contábil, econômica e financeira. Atua em todo o Brasil com equipe multidisciplinar.

