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Perícia Bancária

Tabela Price: o que é, como calcular e quando é abusiva

Entenda o que é a Tabela Price, como o sistema de amortização funciona, quando os juros podem ser considerados abusivos e o papel da perícia bancária na revisão de contratos.

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Por Edilson Aguiais

31 de maio de 2026 · 9 min de leitura

Ilustração sobre Tabela Price e amortização de financiamento
A Tabela Price é o sistema de amortização mais usado em financiamentos no Brasil.

A Tabela Price é um sistema de amortização de empréstimos e financiamentos no qual o valor da parcela permanece fixo do início ao fim do contrato. Também chamada de Sistema Francês de Amortização, ela é o modelo mais comum em financiamentos de veículos, crédito pessoal e parte dos financiamentos imobiliários no Brasil.

Apesar de ser amplamente utilizada, a Tabela Price gera muitas dúvidas entre advogados e consumidores, sobretudo quando o assunto é a cobrança de juros sobre juros e a eventual abusividade das taxas aplicadas. Entender como o sistema funciona é o primeiro passo para identificar cobranças indevidas.

Neste guia, você vai entender o que é a Tabela Price, como ela é calculada, em que situações os juros podem ser considerados abusivos e qual o papel da perícia bancária na revisão desses contratos.

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O que é a Tabela Price

A Tabela Price calcula parcelas de valor constante. No início do contrato, a maior parte de cada parcela é composta por juros, e uma parcela menor amortiza o saldo devedor. Com o passar do tempo, essa relação se inverte: os juros diminuem e a parcela de amortização cresce.

Esse comportamento é o que diferencia a Tabela Price de outros sistemas. Como a prestação não muda, o tomador do crédito tem previsibilidade de orçamento, o que torna o modelo atraente para o consumidor e para a instituição financeira.

Como a Tabela Price é calculada

O valor da parcela na Tabela Price é obtido por uma fórmula que considera o valor financiado, a taxa de juros mensal e o número de parcelas. A prestação equivale ao valor presente da dívida dividido pelo fator de Price, que distribui os juros ao longo de todo o prazo.

Na prática, a instituição define a taxa de juros mensal e o prazo, e a parcela fixa é calculada de modo que, ao final, o saldo devedor chegue a zero. A cada mês, os juros incidem sobre o saldo devedor remanescente, e o que sobra da parcela amortiza o principal.

Um exemplo simples

Em um financiamento de R$ 30.000, em 48 parcelas, a uma taxa de 1,8% ao mês, a parcela fixa fica em torno de R$ 900. Nos primeiros meses, mais de R$ 500 dessa parcela são juros. Já nas últimas parcelas, quase todo o valor amortiza o saldo devedor.

É justamente essa dinâmica que costuma surpreender o consumidor: mesmo pagando parcelas em dia, o saldo devedor cai devagar no início. Isso não é, por si só, abusivo, mas exige atenção aos termos do contrato.

Quando os juros podem ser abusivos

A Tabela Price não é ilegal. O que pode caracterizar abusividade é a forma como os juros foram aplicados. O Superior Tribunal de Justiça admite a capitalização mensal de juros em contratos bancários firmados após 31 de março de 2000, desde que expressamente pactuada no contrato.

Quando não há previsão clara da capitalização, ou quando a taxa cobrada está muito acima da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquela modalidade, abre-se margem para a discussão sobre abusividade, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

Outros pontos frequentemente questionados são a cobrança de tarifas não pactuadas, a venda casada de seguros e a aplicação de encargos de mora em desacordo com o contrato. Cada um desses elementos pode aumentar de forma indevida o custo efetivo total da dívida.

O papel da perícia bancária

A perícia bancária reconstrói, parcela a parcela, toda a evolução da dívida. O perito parte do contrato e dos extratos, recalcula o que deveria ter sido cobrado segundo o que foi pactuado e compara com o que de fato foi cobrado.

Esse trabalho permite identificar diferenças concretas: capitalização não prevista, taxa aplicada acima da contratada, cobrança de encargos indevidos e eventual repetição do indébito. O resultado é um laudo técnico que sustenta, com números, a tese do advogado em juízo.

A identificação de cobranças indevidas exige análise técnica aprofundada, o que reforça a importância da perícia contábil e financeira nesses casos.

Conclusão

A Tabela Price é um sistema legítimo de amortização, mas a forma como os juros são aplicados pode, em situações específicas, gerar cobranças indevidas. Capitalização não pactuada e taxas acima da média de mercado estão entre os pontos mais questionados.

Antes de ajuizar uma ação revisional, vale reconstruir o cálculo da dívida com apoio técnico. É a perícia que transforma a suspeita de abusividade em prova numérica consistente.


A Central de Peritos Associados é especializada em perícia contábil, econômica e financeira. Atua em todo o Brasil com equipe multidisciplinar.

Perguntas frequentes

A Tabela Price é ilegal?

Não. A Tabela Price em si é um sistema de amortização legítimo e amplamente utilizado. O que pode ser questionado é a forma como os juros foram aplicados, especialmente quando há capitalização não pactuada ou taxa muito acima da média de mercado.

A Tabela Price gera juros sobre juros?

A discussão sobre anatocismo na Tabela Price é antiga. O STJ admite a capitalização mensal de juros em contratos bancários firmados após 31/03/2000, desde que expressamente pactuada. A perícia verifica se houve previsão contratual e se o cálculo seguiu o que foi acordado.

Como saber se os juros do meu contrato são abusivos?

Compara-se a taxa do contrato com a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquela modalidade e período. Taxas muito acima da média, sem justificativa, podem caracterizar abusividade nos termos do Código de Defesa do Consumidor.

Qual a diferença entre Tabela Price e SAC?

Na Tabela Price as parcelas são fixas e a amortização cresce ao longo do tempo. No SAC (Sistema de Amortização Constante) a amortização é fixa e as parcelas começam maiores e diminuem. O SAC reduz mais rapidamente o saldo devedor.

Quanto custa uma perícia bancária?

O valor depende da complexidade do contrato, do volume de parcelas e do tipo de análise. O ideal é solicitar um orçamento com base nos documentos do caso (contrato, extratos e planilha de evolução da dívida).

Em quanto tempo fica pronta a perícia?

Para contratos individuais, o laudo costuma ficar pronto em poucos dias úteis após o envio de toda a documentação. Casos com múltiplos contratos ou histórico longo demandam mais tempo de reconstrução do cálculo.

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Fale com a equipe da Central de Peritos. Analisamos o contrato e indicamos se há base técnica para revisão dos valores cobrados.

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Escrito por

Edilson Aguiais

Advogado (OAB-GO 59.889), contador e economista. Perito judicial e fundador da Central de Peritos Associados, com atuação em perícia contábil, bancária e judicial.

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