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Perícia Trabalhista

PJe-Calc: feriados, tabelas e parametrização

PJe-Calc na liquidação trabalhista: parametrização de feriados locais, tabelas de correção e bases de cálculo, e como o perito audita o cálculo judicial.

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Por Edilson Aguiais

18 de setembro de 2026 · 10 min de leitura

PJe-Calc: feriados, tabelas e parametrização
PJe-Calc: feriados, tabelas e parametrização

O que é a parametrização do PJe-Calc na liquidação?

A parametrização no PJe-Calc é o conjunto de definições, premissas temporais, opções matemáticas e tabelas auxiliares que o operador configura no sistema oficial da Justiça do Trabalho para transformar os comandos genéricos do título judicial em valores líquidos executáveis. Criado e mantido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), o software PJe-Calc tornou-se a plataforma compulsória de liquidação processual no âmbito trabalhista, em cumprimento às diretrizes da Resolução CSJT nº 241, de 31 de maio de 2019. Contudo, o sistema não calcula de forma autônoma: sua precisão depende inteiramente da fidedignidade dos dados inseridos pelo calculista.

Na fase de liquidação de sentença, pequenos equívocos de configuração nas telas iniciais do sistema podem produzir variações financeiras expressivas no resultado final da execução. A parametrização abrange desde o cadastramento de dados contratuais básicos (datas de admissão, demissão, prescrição quinquenal e ajuizamento) até a estruturação complexa de bases de cálculo, reflexos compostos e critérios de dedução de parcelas pagas ao longo do pacto laboral. Quando essas variáveis são preenchidas sem o devido rigor técnico, o demonstrativo contábil gerado distancia-se dos limites da coisa julgada fixados na sentença e no acórdão.

Para os operadores do direito e peritos do juízo, compreender as engrenagens internas do PJe-Calc é requisito indispensável para auditar memórias de cálculo apresentadas pelas partes ou por peritos judiciais. A simples visualização do relatório final em formato PDF não revela todas as opções metodológicas assinaladas nos bastidores do sistema. A auditoria pericial aprofundada requer o desmembramento do arquivo fonte (.pjc), permitindo examinar se cada parâmetro selecionado atende rigorosamente ao comando judicial exequendo e aos preceitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

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Nossa equipe de peritos contábeis audita o arquivo PJC, confere feriados, tabelas de correção e identifica desvios na liquidação trabalhista.

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Como o cadastro de feriados locais impacta divisores e DSR?

Um dos módulos mais sensíveis e frequentemente negligenciados na parametrização do PJe-Calc é o módulo de feriados. Por padrão de instalação, o software corporativo traz pré-carregados apenas os feriados nacionais declarados em legislação federal (como 1º de janeiro, 21 de abril, 7 de setembro, 12 de outubro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro). Ocorre que o labor prestado pelo trabalhador ocorre em determinada comarca ou região, sujeita a feriados estaduais específicos e a até quatro feriados municipais religiosos ou cívicos, nos termos da Lei nº 9.093/1995.

A ausência de cadastro manual desses dias santos ou feriados locais no sistema acarreta distorções imediatas na apuração das verbas de jornada. Primeiramente, o PJe-Calc deixará de apurar com o adicional de 100% (ou percentual fixado em norma coletiva) as horas trabalhadas nesses feriados locais, tratando-os erroneamente como dias úteis ordinários. Em segundo lugar, e com reflexo matemático ainda mais abrangente, o número de feriados afeta diretamente o cálculo do Repouso Semanal Remunerado (DSR) sobre parcelas variáveis, como horas extras, adicional noturno e comissões.

A fórmula jurídica do DSR sobre horas suplementares determina a divisão do montante de horas extras prestadas pela quantidade de dias úteis do mês de apuração, multiplicando-se o quociente pelo número de domingos e feriados daquele mesmo período. Se o calculista deixa de incluir os feriados municipais da praça de prestação de serviços, o divisor de dias úteis fica indevidamente inflacionado e o multiplicador de repousos reduzido. Essa distorção, multiplicada ao longo de cinco anos de vigência contratual e replicada sobre férias, décimo terceiro salário e FGTS com 40%, gera descompasso financeiro de grande escala no montante liquidado.

Quais tabelas de correção e juros devem ser configuradas?

A atualização monetária e a taxa de juros representam o eixo de maior complexidade técnica na liquidação trabalhista, em decorrência da pacificação jurisprudencial emanada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento conjunto das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) nº 58 e nº 59 e das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nº 5.867 e nº 6.021. Nessa decisão com eficácia vinculante, a Corte Suprema afastou a aplicação da TR e estabeleceu a modulação bifásica da atualização dos débitos trabalhistas: incidência do IPCA-E acrescido dos juros legais do artigo 39, caput, da Lei nº 8.177/1991 na fase pré-judicial, e aplicação exclusiva da taxa SELIC a partir do ajuizamento da ação.

No PJe-Calc, essa sistemática exige a seleção combinada de tabelas auxiliares na aba Correção, Juros e Multa. O operador deve selecionar a tabela de atualização do IPCA-E com término no marco temporal determinado pelo título executivo (data do ajuizamento ou notificação inicial) e, a partir de então, acionar a tabela da taxa SELIC Fazenda Nacional. Um erro frequente consiste em acumular juros moratórios de 1% ao mês simultaneamente à incidência da taxa SELIC na fase judicial, o que é expressamente vedado pelo precedente do STF, visto que a SELIC já engloba em sua estrutura tanto a correção monetária quanto a remuneração de juros de mora.

Adicionalmente, as tabelas de custas processuais, contribuições previdenciárias (INSS quota empregado e empregador) e faixas do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) devem estar rigorosamente atualizadas na base de dados do PJe-Calc local. O sistema disponibiliza pacotes mensais de atualização emitidos pelo CSJT e pelos TRTs. O uso de uma versão do sistema com tabelas históricas defasadas compromete a exatidão das retenções fiscais e previdenciárias apuradas nos relatórios de liquidação, expondo a parte a impugnações fundadas nos artigos 879 e 884 da CLT.

Como a perícia audita o arquivo PJC e confronta a sentença?

A auditoria contábil de um cálculo trabalhista elaborado no PJe-Calc inicia-se pela obtenção do arquivo eletrônico com extensão .pjc gerado pelo calculista originário. Esse arquivo binário contém a estrutura analítica de todas as parametrizações adotadas. O perito contábil importa o arquivo em seu próprio ambiente de trabalho homologado e executa a conferência parametrizada, procedendo ao cruzamento sistemático entre as cláusulas dispositivas da sentença e os parâmetros configurados em tela.

A primeira rotina de conferência pericial incide sobre as bases de cálculo das verbas principais. O perito averigua se a evolução salarial informada no sistema espelha os contracheques acostados aos autos ou as tabelas salariais normativas das convenções coletivas aplicáveis. Em seguida, examina-se a proporcionalidade das verbas deferidas: se o adicional de periculosidade ou insalubridade foi incluído na base de cálculo das horas extras, se os adicionais convencionais foram respeitados e se foram assinaladas corretamente as opções de apuração pela média física ou pelo valor histórico.

Outro ponto crítico verificado pela perícia contábil diz respeito aos abatimentos de parcelas comprovadamente quitadas sob o mesmo título. Conforme a Orientação Jurisprudencial nº 415 da SBDI-1 do TST, a dedução das horas extras pagas durante o período imprescrito deve ser realizada de forma integral e global, e não mês a mês. O PJe-Calc dispõe de opção específica para dedução global ou mensal. A marcação indevida do critério mensal no menu do sistema restringe a compensação de valores pagos a maior em determinados meses, gerando enriquecimento sem causa do exequente em prejuízo da executada.

Quais quesitos e rotinas asseguram a exatidão dos cálculos?

Para fundamentar a impugnação aos cálculos de liquidação ou orientar a manifestação técnica do perito nomeado pelo juízo, é fundamental formular quesitos objetivos voltados para os pontos técnicos da parametrização. A apresentação de quesitos estruturados assegura que o perito judicial analise as inconsistências do PJe-Calc ponto a ponto. Entre os quesitos mais eficazes para a perícia trabalhista, destacam-se:

  • Aferição de feriados locais e dias úteis: Queira o ilustre perito esclarecer se no cálculo de liquidação apresentado foram cadastrados os feriados municipais da comarca onde ocorreu a prestação de serviços, indicando o impacto dessa inclusão ou exclusão no divisor de dias úteis e no cômputo do DSR sobre verbas variáveis.
  • Conformidade da atualização monetária com a ADC 58/STF: Informe o perito se a parametrização de correção monetária e juros de mora observou estritamente o critério bifásico da ADC 58 do STF, detalhando se houve incidência simultânea de juros de mora após a aplicação da taxa SELIC.
  • Composição da base de cálculo das horas extraordinárias: Queira demonstrar quais rubricas salariais e adicionais integraram a base de cálculo das horas extras deferidas, confrontando as parcelas selecionadas no PJe-Calc com o comando expresso do dispositivo da sentença transitada em julgado.
  • Critério de abatimento de parcelas pagas: Esclareça o perito se a dedução dos valores comprovadamente pagos sob idêntica rubrica foi parametrizada sob o critério global preconizado na OJ nº 415 da SBDI-1 do TST ou sob o critério mês a mês, apontando a diferença monetária resultante entre ambos os métodos.
  • Incidência de contribuições previdenciárias e cota de terceiros: Queira informar se as contribuições previdenciárias devidas a terceiros (Sistema S) foram excluídas da apuração, em conformidade com a jurisprudência consolidada do TST quanto à incompetência da Justiça do Trabalho para a execução dessas parcelas.

A formulação desses quesitos afasta generalismos e obriga a manifestação técnica fundamentada. A perícia contábil trabalhista transforma a discussão judicial em um exame objetivo das regras matemáticas e processuais, garantindo que a execução se processe estritamente nos limites do título judicial exequendo.

Perguntas frequentes

Abaixo estão elencadas respostas claras e técnicas sobre os pontos de maior questionamento na parametrização e auditoria de cálculos no PJe-Calc:

Por que o PJe-Calc é o padrão obrigatório na Justiça do Trabalho?

O PJe-Calc foi instituído pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (Resoluções CSJT nº 185/2017 e nº 241/2019) como ferramenta oficial e obrigatória para apresentação de cálculos de liquidação de sentença, uniformizando critérios matemáticos e contábeis em todos os TRTs.

O PJe-Calc já vem com todos os feriados cadastrados automaticamente?

Não. O sistema traz apenas os feriados nacionais padronizados. Os feriados estaduais, municipais e dias santos específicos da localidade da prestação de serviços exigem cadastro manual ou importação de tabelas auxiliares pelo operador do cálculo.

Como a ausência de um feriado municipal distorce as horas extras?

A ausência de cadastro de um feriado municipal altera a quantidade de dias úteis do mês, afetando diretamente a fórmula do Repouso Semanal Remunerado (DSR) e o cômputo de labor em dias feriados com adicional de 100%, reduzindo ou inflando o valor liquidado.

Quais índices de correção monetária devem ser parametrizados no PJe-Calc?

Conforme decisão vinculante do STF nas ADCs 58 e 59, aplica-se o IPCA-E acrescido dos juros legais do art. 39 da Lei 8.177/1991 na fase pré-judicial (até a notificação/citação) e a taxa SELIC pura a partir do ajuizamento/citação da ação trabalhista.

O que é o arquivo PJC e por que ele deve ser auditado?

O arquivo com extensão .pjc é o arquivo bruto gerado pelo PJe-Calc contendo todas as variáveis, tabelas, fórmulas e opções parametrizadas. A perícia técnica importa esse arquivo para auditar se os parâmetros correspondem estritamente aos limites da coisa julgada.

Como o perito audita a evolução salarial e as bases de cálculo?

O perito contábil confere a tabela de evolução salarial confrontando os holerites e convenções coletivas com o histórico digitado no sistema, verificando se adicionais habituais (noturno, periculosidade, insalubridade) foram integrados corretamente nas bases de cálculo reflexas.

Não encontrou todas as respostas por aqui?

Envie o arquivo .pjc do cálculo, o relatório em PDF e a íntegra da sentença exequenda com o acórdão transitado em julgado. A equipe de peritos da Central audita integralmente a parametrização e aponta eventuais desvios e excessos de execução.

Como validar parâmetros do PJe-Calc com perícia especializada?

A segurança técnica da liquidação trabalhista requer a análise especializada de peritos contábeis que dominem profundamente a arquitetura do PJe-Calc e a jurisprudência consolidada dos Tribunais Regionais do Trabalho e do TST. A auditoria deve abranger a conferência dos dados contratuais, a consistência dos feriados cadastrados, as tabelas de correção e os reflexos deferidos.

Ao receber o arquivo .pjc e a documentação processual, os especialistas da Central de Peritos Associados processam o espelhamento completo do cálculo, identificando distorções de parametrização e elaborando impugnações técnicas fundamentadas com relatórios comparativos. Essa atuação técnica assegura proteção patrimonial às empresas e liquidação justa aos trabalhadores, preservando a higidez da coisa julgada.

Perguntas frequentes

Por que o PJe-Calc é o padrão obrigatório na Justiça do Trabalho?

O PJe-Calc foi instituído pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (Resoluções CSJT nº 185/2017 e nº 241/2019) como ferramenta oficial e obrigatória para apresentação de cálculos de liquidação de sentença, uniformizando critérios matemáticos e contábeis em todos os TRTs.

O PJe-Calc já vem com todos os feriados cadastrados automaticamente?

Não. O sistema traz apenas os feriados nacionais padronizados. Os feriados estaduais, municipais e dias santos específicos da localidade da prestação de serviços exigem cadastro manual ou importação de tabelas auxiliares pelo operador do cálculo.

Como a ausência de um feriado municipal distorce as horas extras?

A ausência de cadastro de um feriado municipal altera a quantidade de dias úteis do mês, afetando diretamente a fórmula do Repouso Semanal Remunerado (DSR) e o cômputo de labor em dias feriados com adicional de 100%, reduzindo ou inflando o valor liquidado.

Quais índices de correção monetária devem ser parametrizados no PJe-Calc?

Conforme decisão vinculante do STF nas ADCs 58 e 59, aplica-se o IPCA-E acrescido dos juros legais do art. 39 da Lei 8.177/1991 na fase pré-judicial (até a notificação/citação) e a taxa SELIC pura a partir do ajuizamento/citação da ação trabalhista.

O que é o arquivo PJC e por que ele deve ser auditado?

O arquivo com extensão .pjc é o arquivo bruto gerado pelo PJe-Calc contendo todas as variáveis, tabelas, fórmulas e opções parametrizadas. A perícia técnica importa esse arquivo para auditar se os parâmetros correspondem estritamente aos limites da coisa julgada.

Como o perito audita a evolução salarial e as bases de cálculo?

O perito contábil confere a tabela de evolução salarial confrontando os holerites e convenções coletivas com o histórico digitado no sistema, verificando se adicionais habituais (noturno, periculosidade, insalubridade) foram integrados corretamente nas bases de cálculo reflexas.

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Envie o arquivo .pjc do cálculo, o relatório em PDF e a íntegra da sentença exequenda com o acórdão transitado em julgado. A equipe de peritos da Central audita integralmente a parametrização e aponta eventuais desvios e excessos de execução.

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Escrito por

Edilson Aguiais

Advogado (OAB-GO 59.889), contador e economista. Perito judicial e fundador da Central de Peritos Associados, com atuação em perícia contábil, bancária e judicial.

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