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Perícia Previdenciária

Quesitos no PASEP: perguntas sobre microfichas

Guia estratégico de formulação de quesitos periciais na ação do PASEP com foco nas microfichas do Banco do Brasil, Tema 1150 do STJ e recálculo.

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Por Robson Antonello

19 de setembro de 2026 · 10 min de leitura

Quesitos no PASEP: perguntas sobre microfichas
Quesitos no PASEP: perguntas sobre microfichas

O que são quesitos periciais sobre microfichas do PASEP?

Os quesitos no PASEP sobre microfichas e saldo do Banco do Brasil são as perguntas técnicas formuladas pelas partes e pelo juízo para direcionar a perícia contábil na auditoria das contas individuais dos servidores públicos, exigindo do perito o exame pormenorizado dos registros históricos emitidos em microfilmagem. Estruturados com precisão aritmética e jurídica, esses quesitos visam esclarecer lançamentos a débito não justificados, expurgos de correção monetária e a evolução real das cotas sob custódia da instituição financeira gestora.

O Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi criado pela Lei Complementar nº 8/1970 com o objetivo de assegurar aos funcionários públicos civis e militares a formação de um patrimônio individual mediante depósitos anuais governamentais. Desde a sua concepção legal, a administração contábil e operacional desse fundo coube ao Banco do Brasil S/A. A instituição financeira tinha o dever fiduciário de manter a integridade dos depósitos, creditar os rendimentos das cotas e efetuar a devida atualização monetária periódica.

Contudo, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, as movimentações contábeis anteriores à informatização bancária consolidada foram registradas em microfichas analógicas. Ao se aposentarem e solicitarem o resgate do saldo de suas contas individuais, milhares de servidores públicos depararam-se com montantes irrisórios, muito inferiores aos valores devidos. Para apurar desvios, a elaboração de quesitos periciais direcionados às microfichas revela-se a ferramenta processual indispensável para conduzir o trabalho do perito judicial e desarticular teses defensivas padronizadas do banco gestor.

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O que estabeleceu o Tema 1150 do STJ sobre a gestão do Banco do Brasil?

A discussão jurídica sobre a gestão do PASEP atingiu maturação definitiva perante o Superior Tribunal de Justiça com a fixação de teses vinculantes no julgamento do Tema Repetitivo 1150 (REsp 1.895.936/TO, REsp 1.895.941/TO e REsp 1.951.931/DF). A Primeira Seção do STJ pacificou que o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam exclusiva para figurar no polo passivo de ações que versem sobre falhas na prestação de seus serviços, caracterizadas por desfalques, saques indevidos na conta individual do participante ou aplicação incorreta dos índices de atualização previstos pelo Conselho Diretor do programa.

Ao reconhecer que o banco age como prestador de serviços e mandatário gestor das contas individuais, o STJ afastou expressamente a legitimidade da União Federal nessas hipóteses indenizatórias. Essa conclusão processual consolidou a competência da Justiça Estadual e do Distrito Federal para processar e julgar as demandas individuais movidas pelos servidores públicos, retirando esses litígios da competência da Justiça Federal.

Outro marco estabelecido no julgamento do Tema 1150 diz respeito à regra prescricional. O tribunal afastou a incidência do prazo quinquenal do Decreto nº 20.910/1932, declarando aplicável a prescrição decenal preconizada pelo artigo 205 do Código Civil. Fundamentalmente, acolheu-se o princípio da actio nata em sua vertente subjetiva: o prazo prescricional decenal tem início somente na data em que o titular da conta individual toma ciência inequívoca dos desfalques, o que ocorre habitualmente quando o servidor obtém o extrato analítico completo fornecido pela agência bancária.

Como a perícia contábil decifra os códigos e lançamentos das microfichas?

As microfichas do PASEP consistem em matrizes fotográficas de dados impressos em dimensões microscópicas, cuja leitura depende de ampliação óptica em leitoras digitais. Esses documentos registram colunas contábeis fundamentais: data da operação, código da transação, histórico descritivo, valor em moeda corrente da época e saldo remanescente. O trabalho do perito contábil exige a decodificação minuciosa de cada lançamento para verificar a conformidade dos débitos efetuados.

Cada lançamento no extrato do Banco do Brasil traz códigos operacionais específicos. As rubricas iniciadas por determinados dígitos representam depósitos ordinários do empregador ou distribuição de quotas anuais fixadas pelas resoluções ministeriais. Os códigos de rendimento retratam a distribuição de juros e o resultado líquido das operações financeiras do fundo. No entanto, o ponto nevrálgico da auditoria pericial recai sobre os lançamentos de débito codificados como saques parciais, retiradas para folha de pagamento ou transferências entre agências.

A perícia investiga se os débitos ocorridos ao longo das décadas contam com respectiva autorização legal, recibo firmado pelo servidor ou efetivo repasse comprovado. Nas ações revisionais, o Banco do Brasil frequentemente alega que os débitos representavam saques anuais de rendimentos creditados em folha. Contudo, cabe à prova pericial confrontar tais lançamentos com as fichas financeiras do servidor para comprovar se houve ou não o efetivo pagamento, denunciando a ocorrência de desfalques indevidos nas contas sob custódia.

Quais expurgos inflacionários e índices incidiram sobre as contas do PASEP?

Além das irregularidades decorrentes de lançamentos manuais a débito, as contas do PASEP sofreram severas perdas monetárias em virtude da omissão ou redução de índices inflacionários oficiais. Durante as trocas de moeda no Brasil — passando de Cruzeiro para Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro e finalmente Real —, a gestão do fundo operou expurgos nos momentos de virada de planos econômicos governamentais.

Os maiores impactos ocorreram durante a vigência do Plano Verão em janeiro de 1989 (com a supressão da inflação real de 42,72% apurada pelo IPC) e durante o Plano Collor I entre março e maio de 1990 (no qual se impôs a Taxa de Bônus do Tesouro Nacional Fiscal - BTNF em substituição à variação real dos preços de 84,32%). A ausência de creditamento integral dessas correções reduziu exponencialmente a base de cálculo sobre a qual incidiam os juros contratuais de 3% ao ano e os rendimentos das cotas nos exercícios subsequentes.

Na reconstrução pericial, o perito contábil elabora uma planilha de evolução paralela linha a linha. Nessa modelagem, os saldos das microfichas são convertidos corretamente em cada marco monetário histórico, expurgando-se os débitos sem comprovação documental e aplicando-se os índices fidedignos de correção monetária aprovados pelo Conselho Diretor e pela jurisprudência dos tribunais. O confronto entre o saldo real reconstituído e o saldo nominal pago ao servidor revela a extensão do dano material a ser reparado.

Quais perguntas devem constar no rol de quesitos sobre microfichas?

Para assegurar que a perícia judicial esclareça todos os aspectos materiais da controvérsia contábil, a redação dos quesitos deve ser precisa e articulada de forma concatenada. Questões abertas ou genéricas facilitam respostas evasivas por parte do perito judicial. É fundamental apresentar perguntas que exijam respostas lastreadas em evidências aritméticas e exibição de comprovantes documentais pelo banco.

Entre os quesitos essenciais formulados para a auditoria de microfichas, destacam-se os seguintes itens estratégicos:

1. Queira o ilustre Perito informar se o Banco do Brasil apresentou a totalidade das microfichas e extratos analíticos da conta individual do autor, desde a sua inscrição inicial até a data do encerramento ou transferência;

2. Queira o Perito indicar detalhadamente cada lançamento a débito constante das microfichas, esclarecendo o código operacional utilizado, a data do evento e se existe nos autos documento comprovando que o valor foi efetivamente recebido pelo autor;

3. Queira o Perito esclarecer quais índices de valorização e correção monetária foram aplicados às cotas da conta individual nos exercícios de 1988 a 1991, confrontando-os com os índices oficiais fixados pelo Conselho Diretor do programa;

4. Com base no expurgo dos débitos não justificados e na aplicação correta das correções financeiras, queira o senhor Perito apresentar a evolução contábil da conta gráfica e apurar a diferença monetária devida em favor do autor.

A formulação direcionada de quesitos periciais impede que a perícia judicial sobre o PASEP apresente conclusões genéricas ou inconclusivas a respeito das microfichas. O suporte contábil especializado permite mapear cada rubrica numérica controvertida e exigir do perito do juízo a demonstração matemática dos desfalques. Dessa forma, a liquidação do direito reconhecido pelo STJ ganha precisão documental irrefutável.

Perguntas frequentes

Esta seção reúne respostas diretas e fundamentadas sobre os pontos críticos envolvidos na formulação de quesitos periciais e na conferência de microfichas do PASEP:

O que são as microfichas do PASEP fornecidas pelo Banco do Brasil?

São relatórios microfilmados contendo a movimentação contábil das contas individuais dos servidores públicos desde a instituição do programa até 1999, arquivadas pelo Banco do Brasil e indispensáveis para apurar saldos históricos.

O que foi fixado no Tema 1150 do STJ quanto ao Banco do Brasil?

O STJ consolidou que o Banco do Brasil é parte legítima exclusiva para responder por falhas na prestação do serviço do PASEP, como desfalques, saques irregulares ou aplicação incorreta de índices, aplicando-se a prescrição decenal.

A partir de quando corre o prazo prescricional para a ação do PASEP?

Conforme a tese firmada no Tema 1150 do STJ, o prazo de 10 anos (art. 205 do Código Civil) flui a partir do momento em que o servidor público titular toma ciência inequívoca dos desfalques, normalmente ao requerer o extrato completo.

Quais códigos nas microfichas indicam saques indevidos ou débitos suspeitos?

Débitos sob as rubricas de transferências, retiradas ou estornos (códigos operacionais de débito como parcelas RTM ou saques parciais sem comprovante de repasse ao servidor) devem ser rigorosamente auditados pelo perito.

Como os expurgos inflacionários afetaram os saldos do PASEP?

Nos planos econômicos Verão (1989) e Collor I (1990), o Banco do Brasil deixou de aplicar os índices reais de inflação (IPC) sobre as cotas individuais, gerando defasagem monetária que deve ser recomposta pericialmente.

Como a perícia procede caso o Banco do Brasil omita microfichas de alguns anos?

A perícia contábil realiza a reconstituição matemática das cotas omitidas aplicando os índices oficiais do Conselho Diretor do PIS-PASEP sobre o último saldo conhecido, demonstrando o salto de valores no período faltante.

Não encontrou todas as respostas por aqui?

Reúna as microfichas e extratos fornecidos pelo Banco do Brasil e consulte a equipe técnica da Central de Peritos para auditar as movimentações financeiras e elaborar quesitos estratégicos sob medida para o seu processo.

Como organizar os documentos do PASEP para a perícia contábil?

A fase preparatória de uma ação revisional do PASEP depende essencialmente do saneamento documental da conta individual do servidor. O primeiro passo consiste em comparecer a qualquer agência do Banco do Brasil para formalizar o requerimento administrativo de extratos analíticos completos e de todas as microfichas históricas desde a data de vinculação funcional do participante.

De posse dessa documentação microfilmada, o advogado deve submeter o conjunto a exame pericial contábil preliminar. Os peritos especializados realizam a decodificação técnica das transações, identificam a ocorrência de lapsos temporais sem escrituração e elaboram um parecer técnico com cálculo preliminar do indébito e o rol personalizado de quesitos periciais. Essa cautela metodológica assegura solidez probatória à petição inicial e blinda o direito do servidor perante os tribunais.

Perguntas frequentes

O que são as microfichas do PASEP fornecidas pelo Banco do Brasil?

São relatórios microfilmados contendo a movimentação contábil das contas individuais dos servidores públicos desde a instituição do programa até 1999, arquivadas pelo Banco do Brasil e indispensáveis para apurar saldos históricos.

O que foi fixado no Tema 1150 do STJ quanto ao Banco do Brasil?

O STJ consolidou que o Banco do Brasil é parte legítima exclusiva para responder por falhas na prestação do serviço do PASEP, como desfalques, saques irregulares ou aplicação incorreta de índices, aplicando-se a prescrição decenal.

A partir de quando corre o prazo prescricional para a ação do PASEP?

Conforme a tese firmada no Tema 1150 do STJ, o prazo de 10 anos (art. 205 do Código Civil) flui a partir do momento em que o servidor público titular toma ciência inequívoca dos desfalques, normalmente ao requerer o extrato completo.

Quais códigos nas microfichas indicam saques indevidos ou débitos suspeitos?

Débitos sob as rubricas de transferências, retiradas ou estornos (códigos operacionais de débito como parcelas RTM ou saques parciais sem comprovante de repasse ao servidor) devem ser rigorosamente auditados pelo perito.

Como os expurgos inflacionários afetaram os saldos do PASEP?

Nos planos econômicos Verão (1989) e Collor I (1990), o Banco do Brasil deixou de aplicar os índices reais de inflação (IPC) sobre as cotas individuais, gerando defasagem monetária que deve ser recomposta pericialmente.

Como a perícia procede caso o Banco do Brasil omita microfichas de alguns anos?

A perícia contábil realiza a reconstituição matemática das cotas omitidas aplicando os índices oficiais do Conselho Diretor do PIS-PASEP sobre o último saldo conhecido, demonstrando o salto de valores no período faltante.

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Escrito por

Robson Antonello

Economista (CORECON-GO 2.648/D), sócio e Diretor Operacional da Central de Peritos Associados. Perito economista especializado em cálculos bancários, trabalhistas e tributários.

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